Você ja deve ter lido o Romance “Dom Casmurro” de Machado de Assis (1839-1908).
“Capitu”

lembra de algum trecho?
Capitolina (Capitu, como é conhecida), é uma personagem do livro “Dom Casmurro” de Machado de Assis (1839-1908).
Penetrou no imaginário coletivo como tipo feminino, justificando estudos psicológicos e literários. O ciúme de Bento Santiago, o Bentinho e mais tarde Casmurro, seu esposo, a todo instante conjecturava sobre seu caráter, contribuindo para o caráter enigmático da “criatura de quatorze anos, alta, forte e cheia, apertada em um vestido de chita, meio desbotado. Os cabelos grossos, feitos em duas tranças, com as pontas atadas uma à outra, à moda do tempo, desciam-lhe pelas costas. Morena, olhos claros e grandes, nariz reto e comprido, tinha a boca fina e o queixo largo. As mãos, a despeito de alguns ofícios rudes, eram curadas com amor; não cheirava a sabões finos nem águas de toucador, mas com água do poço e sabão comum trazia-as sem mácula. Calçava sapatos de duraque, rasos e velhos, a que ela mesma dera alguns pontos”. Mas foi pelos olhos que Capitu se consagrou: “olhos de cigana oblíqua e dissimulada”, segundo José Dias, o agregado da casa, e “olhos de ressaca” segundo Bentinho, que os percebia diferentes conforme as circunstâncias.
Mulher de personalidade forte e envolvente, Capitu deixou na literatura brasileira a marca de seus olhos profundos e inexplicáveis: “olhos de cigana oblíqua e dissimulada” ou “olhos de ressaca”, segundo o parecer do marido ciumento, o sr. Bento Santiago, vulgo “Dom Casmurro”. É sujeito duma canção por Luiz Tatit que gravou Zélia Duncan e Ná Ozzetti.
Sinopse
No romance machadiano, protagonizado pelo casal, o narrador constrói uma narrativa ambígua por natureza, fazendo com que o leitor ora duvide, ora acredite na inocência de Capitu, acusada de adultério pelo marido, ex-seminarista e advogado. O sacerdote e o jurisconsulto se unem para condenar a esposa, num tribunal de provas refutáveis e inconsistentes. O veredicto final fica por conta do leitor, mas é o próprio acusador que a absolve, na mesma medida que a condena: “Capitu era mais mulher do que eu homem”. De fato, a grandeza de Capitu nos seduz e se torna um exemplo de força, coragem, audácia em pleno século XIX.

